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22.1.10

O que desejei às vezes

O que desejei às vezes
Diante do teu olhar,
Diante da tua boca!

Quase que choro de pena
Medindo aquela ansiedade
Pela de hoje - que é tão pouca!

Tão pouca que nem existe!

De tudo quanto nós fomos,
Apenas sei que sou triste.

[O que desejei às vezes, António Botto]

25.8.07

Porque a vida
É sempre o que nós queremos.
- Não rias.
Nem penses que vou brincar.
E se ela nos surpreende
Às vezes com alguma coisa, crê-me.
É unicamente
Porque a nós mesmos,
Raras vezes,
Afirmamos em verdade
O que em verdade queremos.

[António Botto]