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24.7.16

Pedro, meu filho...

Como eu nunca lutei para deixar-te nada além do amanhã indispensável: um quintal de terra verde onde corra, quem sabe, um córrego pensativo; e nessa terra, um teto simples onde possas ocultar a terrível herança que te deixou teu pai apaixonado - a insensatez de um coração constantemente apaixonado.
E porque te fiz com o meu sêmen homem entre os homens, e te quisera para sempre escravo do dever de zelar por esse alqueire, não porque seja meu, mas porque foi plantado com os frutos da minha mais dolorosa poesia. da mesma forma que eu, muitas noites, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua.
E porque vivemos tanto tempo juntos e tanto tempo separados, e o que o convívio criou nunca a ausência pôde destruir.
Assim como eu creio em ti porque nasceste do amor e cresceste no âmago de mim como uma árvore dentro de outra, e te alimentaste de minhas vísceras, e ao te fazeres homem rompeste meu alburno e estiraste os braços para um futuro em que acreditei acima de tudo.
E sendo que reconheço nos teus pés os pés do menino que eu fui um dia, em frente ao mar; e na aspereza de tuas plantas as grandes pedras que grimpei e os altos troncos que subi; em tuas palmas as queimaduras do infinito que procurei como um louco tocar.
Porque tua barba vem da minha barba, e o teu sexo do meu sexo, e há em ti a semente da morte criada por minha vida.
E minha vida, mais que ser um templo, é uma caverna interminável, em cujo recesso esconde-se um tesouro que me foi legado por meu pai, mas cujo esconderijo eu nunca encontrei, e cuja descoberta ora te peço.
Como as amplas estradas da mocidade se transformaram nestas estreitas veredas da madureza, e o sol que se põe atrás de mim alonga a minha sombra como uma seta em direção ao tenebroso norte.
E a morte me espera em algum lugar oculta, e eu não quero ter medo de ir ao seu inesperado encontro.
Por isso que eu chorei tantas lágrimas para que não precisasse chorar, sem saber que criava um mar de pranto em cujos vórtices te haverias também de perder.
E amordacei minha boca para que não gritasses e ceguei meus olhos para que não visses; e quanto mais amordaçado, mais gritavas; e quanto mais cego, mais vias.
Porque a poesia foi para mim uma mulher cruel em cujos braços me abandonei sem remissão, sem sequer pedir perdão a todas as mulheres que por ela abandonei.
E assim como sei que toda a minha vida foi uma luta para que ninguém tivesse mais que lutar: assim é o canto que te quero cantar, pedro meu filho... 

[Vinicius de Moraes; Pedro, meu filho...]

16.1.11

Amor é querer estar perto, se longe; 
e mais perto, se perto.

[Vinícius de Moraes]

22.9.08

Ai, quem me dera


Ai quem me dera terminasse a espera
Retornasse o canto, simples e sem fim
E ouvindo o canto, se chorasse tanto
Que do mundo o pranto, se estancasse enfim

Ai quem me dera ver morrer a fera
Ver nascer o anjo, ver brotar a flor
Ai quem me dera uma manhã feliz
Ai quem me dera uma estação de amor...

Ah se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais

Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim

Ai quem me dera ouvir o nunca-mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E ao fim da espera ouvir na primavera
Alguém chamar por mim

[Ai, quem me dera; Vinícius de Moraes]

22.5.08

Ao dia de ontem!

...A tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz...

[Vinícius de Moraes]


Pai, Feliz Aniversário! Te Amo!

8.3.08

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
mas beleza é fundamental. É preciso
que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
qualquer coisa de dança, qualquer coisa
de haute couture em tudo isso (ou então que
a mulher se socialize elegantemente em azul,
como a República Popular Chinesa)
não há meio termo possível. É preciso
que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
tenha-se a impressão de ver uma garça apenas
pousada e que um rosto adquira de vez em quando
essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se
reflita e desabroche no olhar dos homens.
É preciso que umas pálpebras cerradas
lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
alguma coisa além da carne: que se os toque
como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
que é preciso que a mulher que está ali
como a corola ante o pássaro
seja bela ou tenha pelo menos
um rosto que lembre um templo e
seja leve como um resto de nuvem:
mas que seja uma nuvem com
olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo.
Olhos então, nem se fala,
que olhem com certa maldade inocente.
Uma boca fresca (nunca úmida!)
é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas,
e as pontas pélvicas no enlaçar de uma cintura semovente
gravíssimo é porem o problema das saboneteiras:
uma mulher sem saboneteiras
é como um rio sem pontes. Indispensável
que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
a mulher se alteie em cálice, e que seus seios
seja uma expressão greco-romana,
mais que gótica ou barroca
e possam iluminar o escuro com,
uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem à caveira e a coluna
vertebral levemente à mostra; e que exista
um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes,
mas bem hajam um certo volume de coxas
e que elas sejam lisas, lisas como a pétala
e cobertas de suavíssima penugem
no entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem duvida os pescoços longos
de forma que a cabeça dê por vezes a impressão
de nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
flores sem mistério. Pés e mãos
devem conter elementos góticos discretos.
A pele dever ser fresca nas mãos,
nos braços, no dorso e na face mas
que as concavidades e reentrâncias tenham
uma temperatura nunca inferior
a 37º centígrados, podendo eventualmente
provocar queimaduras do primeiro grau.
Olhos, que sejam de preferência grandes
e de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra,
e que se coloquem sempre para lá
de um invisível muro de paixão
que é preciso ultrapassar.
Que a mulher seja em principio alta ou,
baixa, que tenha atitude mental dos altos pícaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão
de que se se fechar os olhos
ao abri-los ela não mais estará presente
com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá.
E que possua certa capacidade de emudecer subitamente
e nos fazer beber o fel da dúvida.
Oh, sobretudo que ela não perca nunca,
não importa em que mundo não importa
em que circunstancias, a sua infinita volubilidade
de pássaro; e que acaricia no fundo de si mesma
transforme-se em fera sem perder sua graça de ave;
e que exale sempre o impossível
perfume; e deleite sempre o embriagante mel;
e cante sempre o inaudível canto
da sua combustão; e não deixe
de ser nunca a eterna dançarina
do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
constitua a coisa mais bela e mais perfeita de
toda a criação miserável.

[Receita de mulher, Vinícius de Moraes]

6.2.08

Soneto de quarta-feira de cinzas

Por seres quem me foste, grave e pura
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
De uma brancura de manhã raiada

Por seres de uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada

Porque te vi nascer de mim sozinha
Como a noturna flor desabrochada
A uma fala de amor, talvez perjura

Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura.

[Soneto de quarta-feira de cinzas, Vinícius de Moraes]

20.1.08

Monólogo de Orfeu

Mulher mais adorada!

Agora que não estás, deixa que rompa

O meu peito em soluços! Te enrustiste

Em minha vida; e cada hora que passa

É mais por que te amar, a hora derrama

O seu óleo de amor, em mim, amada...

E sabes de uma coisa? Cada vez

Que o sofrimento vem, essa saudade

De estar perto, se longe, ou estar mais perto

Se perto, – que é que eu sei! Essa agonia

De viver fraco, o peito extravasado

O mel correndo; essa incapacidade

De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso

Que é bem capaz de confundir o espírito

De um homem – nada disso tem importância

Quando tu chegas com essa charla antiga

Esse contentamento, essa harmonia

Esse corpo! E me dizes essas coisas

Que me dão essa força, essa coragem

Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice

Meu verso, meu silêncio, minha música!

Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada

Sou coisa sem razão, jogada, sou

Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...

Coisa incompreensível! A existência

Sem ti é como olhar para um relógio

Só com o ponteiro dos minutos. Tu

És a hora, és o que dá sentido

E direção ao tempo, minha amiga

Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!

A beleza da vida és tu, amada

Milhões amada! Ah! Criatura! Quem

Poderia pensar que Orfeu: Orfeu

Cujo violão é a vida da cidade

E cuja fala, como o vento à flor

Despetala as mulheres - que ele, Orfeu

Ficasse assim rendido aos teus encantos!

Mulata, pele escura, dente branco

Vai teu caminho que eu vou te seguindo

No pensamento e aqui me deixo rente

Quando voltares, pela lua cheia

Para os braços sem fim do teu amigo!

Vai tua vida, pássaro contente

Vai tua vida que estarei contigo!


[Monólogo de Orfeu, Vinícius de Moraes]

25.12.07

Poema de Natal



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e sermos lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre os túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não se esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos imensamente.


[Poema de Natal, Vinícius de Moraes]

1.11.07

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim

E eu não existo sem você

[Eu não existo sem você, Tom Jobim e Vinícius de Moraes]

28.10.07

A hora íntima

Quem pagará o enterro e as flores
Se eu morrer de amores?

Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem em meio ao funeral
Dirá de mim: - Nunca fez mal...
Quem, bêbado, corará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar as pétalas?
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
sorrirá: - Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: - Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Po motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: - Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: - Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?

Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu morrer de amores?

[A hora íntima, Vinícius de Moraes]

21.5.07

Pai, Feliz Aniversário!
Te Amo!


Quem nunca teve
um pai que ronca,
não sabe o que é ter pai.

[Vinícius de Moraes]

20.5.07

Ao dia de hoje...

...
E porque vivemos tanto tempo juntos
e tanto tempo separados,
e o que o convívio criou
nunca a ausência pôde destruir.

[Vinícius de Moraes]

27.4.07

Para viver um grande amor

Para viver um grande amor,
Preciso é muita concentração e muito siso,
Muita seriedade e pouco riso
- Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister é ser
Um homem de uma só mulher;
Pois de muitas, poxa!
É de colher...
- Não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor,
Primeiro é preciso
Sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
- Seja lá como for.

Há que fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
- Para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo,
É preciso atenção como o "velho amigo"
Que porque é só vos quer sempre
Consigo para iludir o grande amor.

É preciso muitíssimo cuidado
Com quem quer que não
Esteja muito apaixonado,
Pois quem não está,
Está sempre preparado
Pra chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade,
Há que compenetrar-se da verdade de que
Não existe amor sem fieldade
- Para viver um grande amor.

Pois quem trai seu amor por uma vanidade
É desconhecedor da liberdade,
Dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, "il faut", além de ser fiel,
Ser bem conhecedor de arte culinária e judô
- Para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito,
Não basta ser apenas um bom sujeito;
É preciso também ter muito peito
- Peito de remador.

É preciso olhar sempre a bem-amada
Como a sua primeira namorada e
Sua viúva também,
Amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista
Um crédito de rosas na florista
- Muito mais, muito mais que na modista!
- Para aprazer o grande amor.

Pois do que o grande amor quer saber
Mesmo, é de amor, é de amor,
De amor a esmo; depois, um tutuzinho
Com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos,
Camarões, sopinhas, molhos, estrogonofes
- Comidinhas para depois do amor.

E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha,
Para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito,
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
- Pra não morrer de amor.

É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo mas também com a mente,
Pois qualquer "baixo" seu, a amada sente
- E esfria um pouco o amor

Há que ser bem cortês sem cortesia;
Doce e conciliador sem covardia;
Saber ganhar dinheiro com poesia
- Para viver um grande amor

É preciso saber tomar uísque
(com mau bebedor nunca se arrisque!)
E ser impermeável ao diz-que-diz-que
- Que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada,
Se nesta "selva oscura" e desvairada
Não se souber achar a bem-amada
- Para viver um grande amor

[Para viver um grande amor, Vinícius de Moraes]

24.4.07

Berimbau

Quem é homem de bem não trai
O amor que lhe quer seu bem
Quem diz muito que vai, não vai
Assim como não vai, não vem
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem não tem
Capoeira que é bom não cai
Mas se um dia ele cai, cai bem
Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza camará

Se não tivesse o amor
Se não tivesse essa dor
E se não tivesse o sofrer
E se não tivesse o chorar
Melhor era tudo se acabar

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu

Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza camará

[Berimbau, Baden Powell e Vinícius de Moraes]

23.4.07

Se ela quisesse

Se ela tivesse a coragem de morrer de amor
Se não ela soubesse que a paixão traz sempre muita dor
Se ela me desse toda devoção da vida
Num só instante sem momento de partida
Pudesse ela me dizer o que eu preciso ouvir
Que o tempo insiste
Porque existe um tempo que há de vir
Se ela quisesse, se tivesse essa certeza
De repente que beleza
Ter a vida assim ao seu dispor
Ela veria, saberia, que doçura
Que delícia, que loucura
Como é lindo se morrer de amor!

[Se ela quisesse, Vinícius de Moraes]