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20.3.14

Bem diferente é o verdadeiro ciumento. Tem-se dificuldade de imaginar os compromissos e a indulgência de que alguns são capazes. Os ciumentos são os primeiros a perdoar, todas as mulheres sabem disso. Perdoariam (após uma cena terrível, bem entendido) uma traição quase flagrante, os abraços e beijos de que foram testemunhas, se fosse a derradeira vez, se seu rival desaparecesse, partisse para o fim do mundo e eles mesmos partissem com a bem-amada para um lugar onde ela não tornaria a encontrar mais o outro. A reconciliação, naturalmente, não é senão de curta duração, porque na ausência de um rival o ciumento inventaria um segundo. Ora, que vale tal amor, objeto de uma vigilância incessante? Mas um verdadeiro ciumento não o compreenderá nunca.

[Os irmãos Karamazov, Dostoievski]

21.9.07

Se quiser compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma não preste atenção à sua maneira de calar, ou de falar, ou de chorar, ou de emocionar-se com as idéias mais nobres. Olhe antes para ela quando ri. Pois aí está toda a nobreza e espírito sublime, o riso é um dom, não se pode aperfeiçoar o riso.
A pessoa manifesta no riso aquilo que é e num instante conhece-se todos os seus segredos.

[Fiodor Dostoievski em, O Adolescente]