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3.1.16

Eu moro em mim mesmo.
Não faz mal que o quarto seja pequeno.
É bom, assim tenho menos lugares
para perder as minhas coisas.

[Mario Quintana]

2.8.14

Se me esqueceres, 
só uma coisa, 
esquece-me bem devagarinho.

[Quintana]

15.11.10



Que sonho sonhei que sinto inda 
um gosto de beijo apressado?

[Mario Quintana]

16.9.09

Indivisíveis



O meu primeiro amor

e eu sentávamos numa pedra

que havia num terreno baldio entre as nossas casas.

Falávamos de coisas bobas, isto é,

que a gente grande achava bobas.

Como qualquer troca de confidências

entre crianças de cinco anos. Crianças...

Parecia que entre um e outro

nem havia ainda separação de sexos,

a não ser o azul imenso dos olhos dela,

olhos que eu não encontrava em ninguém mais,

nem no cachorro e no gato da casa,

que apenas tinham a mesma fidelidade sem compromisso

e a mesma animal - ou celestial - inocência.

Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu.

Não importava as coisas bobas que disséssemos.

Éramos um desejo de estar perto, tão perto,

que não havia ali apenas duas encantadoras criaturas,

mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,

enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se,

não sabia que eles levariam procurando

uma coisa assim por toda a sua vida...


[Mário Quintana]

13.9.09

Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão...
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim...
e que valeu a pena.

[Mario Quintana]


Feliz 85 anos vovó!
Te Amo!

8.1.09

O Silêncio

Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...


[Mario Quintana]

1.1.09

Feliz Ano Novo!

O bom das segundas-feiras, do primeiro dia de cada mês,

e do primeiro do Ano, é que nos dão a ilusão

que a vida se renova...

Que seria de nós se a folhinha marcasse hoje

o dia 713.789 da era Cristã?


[Mario Quintana]

25.10.08

Quantas vezes a vida nos revela
que a saudade da pessoa amada,
é bem melhor que a presença dela.


[Mario Quintana]

10.7.08

O maior chato é o chato perguntativo. Prefiro o chato discursivo ou narrativo, que se pode ouvir pensando noutra coisa.

[Mário Quintana]

16.6.08

Um bom poema é aquele que nos dá a impressão
de que está lendo a gente... e não a gente a ele!

[Mario Quintana]

24.4.08

O que mata um jardim não é o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por ele passa indiferente.

[Mario Quintana]

23.1.08

Conversa fiada

Eu gosto de fazer poemas de um único verso.
Até mesmo de uma única palavra
Como quando escrevo o teu nome no meio da página

E fico pensando mais ou menos em ti
Porque penso, também, em tantas coisas... em ninhos.
Não sei por que vazios em meio de uma estrada
Deserta...
Penso em súbitos cometas anunciadores de um Mundo Novo
E - imagina! –
Penso em meus primeiros exercícios de álgebra,
Eu que tanto, tanto os odiava...
Eu que naquele tempo vivia dopando-me em cores, flores, amores,
Nos olhos - flores das menininhas - isso mesmo! O mundo
Era um livro de figuras
Oh! Os meus paladinos, as minhas princesas prisioneiras em suas altas torres,
Os meus dragões
Horrendos
Mas tão coloridos...
E - já então - o trovoar dos versos de Camões:
"Que o menor mal de todos seja a morte!"
Ah, prometo àqueles meus professores desiludidos que na próxima vida eu vou ser um
grande matemático
Porque a matemática é o único pensamento sem dor...
Prometo, prometo, sim... Estou mentindo? Estou!

Tão bom morrer de amor! E continuar vivendo...

[Conversa fiada, Mário Quintana]

11.1.08

Confesso que até hoje só conheci dois sinônimos perfeitos:
'nunca' e 'sempre'.

[Mario Quintana]

17.12.07

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

[Os poemas, Mario Quintana]

10.12.07

A arte de ler

O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha.
Neste
momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

[A arte de ler, Mario Quintana]

22.11.07

As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas...
Nada lhes ficou
Nada lhes sobrou.
Uma vida não basta apenas ser vivida:
também precisa ser sonhada.

[Mário Quintana]

9.11.07

Monotonia


É segundo por segundo
Que vai o tempo medindo
Todas as coisas do mundo
num só tic tac,em suma,
Há tanta monotonia
Que até a felicidade,
Como goteira num balde,
Cansa, aborrece, enfastia...
E a própria dor - Quem diria?-
A própria dor acostuma.
E vão se revezando, assim,
Dia e noite, sol e bruma...
E isto afinal não cansa?
Já não há gosto e desgosto
Quando é prevista a mudança.
Ai que vida!
Ainda bem que tudo acaba...
Ai que vida tão comprida...
Se não houvesse a morte, Maria
Eu me matava!

[Monotonia, Mario Quintana]

19.10.07

Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.
[Mário Quintana]

18.10.07

O papel está hoje com uma abominável falta de imaginação.
Continua, apenas, olhando-me: vazio,
mais quadrado do que nunca.
[Mário Quintana]

30.9.07

Buscas a perfeição?
Não sejas vulgar.
Autenticidade é muito mais difícil.

[Mário Quintana]