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19.11.15

Madrigal Melancólico

O que eu adoro em ti
Não é a tua beleza
A beleza é em nós que existe 
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza 
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Não é o teu espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas. 
O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz 
O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai 
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza. 
O que adoro em ti lastima-me e consola-me:
O que eu adoro em ti é a vida!

[Manuel Bandeira]

20.1.10

Madrigal muito fácil

Quando de longe te vi,
Quando de longe te via,
Gostei logo bem de ti.
Como é bonita! eu dizia.

Mas por enganar aquilo
Que dentro de mim senti,
Que dentro de mim sentia,
Pensei de mim para mim
Que a distância é que fazia
Me pareceres assim.

Não era a distância não!
Pois chegou aquele dia
Em que te apertei a mão
Sem saber o que dizia.
E vi que eras mais bonita
Do que para o meu sossego
A distância te fazia.

Quanto mais de perto, mais
Bonita, era o que eu dizia!
E desde então imagino
Que mais linda te acharia,
Mais fresca, mais desejável
Mais tudo enfim, se algum dia
- Dia ou noite que marcasses –
Se algum dia me deixasses
Te ver de mais perto ainda!

[Madrigal muito fácil, Manuel Bandeira]

31.7.08

Madrigal tão engraçadinho


Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje
na minha vida, inclusive o porquinho-da-índia
que me deram quando eu tinha seis anos.


[Manuel Bandeira]

7.7.08

Não quero amar,
não quero ser amado.
não quero combater,
não quero ser soldado.
- quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples

[Manuel Bandeira, trecho de Belo Belo]

26.1.08

Porquinho-da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

[Porquinho-da-Índia, Manuel Bandeira]